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 O P-47 Thunderbolt com a FAB na Itália

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Yunus
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MensagemAssunto: O P-47 Thunderbolt com a FAB na Itália   17/4/2013, 13:53


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Apesar de a imagem do Thunderbolt no Brasil estar fortemente associada à Campanha da Itália e a uma bolacha do "Senta a Pua" pintada na lateral esquerda da fuselagem, a história do P-47 Thunderbolt com a FAB não começa na Itália.

Antes do início nos combates na Itália, a Força Aérea Brasileira recebeu um único P-47B, já redesignado RP-47B-RE, a aeronave de número 41-6037 (matrícula FAB 4103), que chegou a Natal em 16 de outubro de 1944 trazida em vôo dos Estados Unidos pelo 2° Ten. Av. Moacyr Domingues. Foi, portanto, o primeiro P-47 a entrar em serviço na FAB. De Natal foi levada, pelo mesmo piloto, ao Campo dos Afonsos onde permaneceu até 15 de dezembro quando foi levada pelo 1° Ten. Av. José Eduardo Magalhães Motta para a Base Aérea de Cumbica, sendo entregue ao 1° Grupo Misto de Instrução, unidade incumbida da formação dos alunos matriculados na Escola Técnica de Aviação.

Quando da transferência da Escola de Especialistas da Aeronáutica para a cidade de Guaratinguetá, essa aeronave foi desmontada e para lá levada. Completamente desgastada, foi declarada imprestável em 30 de junho de 1964, descarregada no Ministério da Aeronáutica em 14 de setembro de 1967 e posteriormente vendida como sucata. Detalhe curioso é que, ao menos na época em que esteve no Campo dos Afonsos, a aeronave ostentava a inscrição "Teco-Teco" no lado direito da carenagem do motor, na altura do bordo de ataque da asa direita.

O 1° GAvCa recebeu seus primeiros P-47D Thunderbolt já na Itália, no Campo de Tarquínia, sua primeira base de operações. No início das operações, 31 estavam em poder do 1° GAvCa enquanto outras prováveis 36 remanescentes estariam armazenadas no AAFSC/MTO, próximo a Nápoles. Essas aeronaves remanescentes eram liberadas apenas para substituir perdas operacionais, sendo que algumas delas nunca chegaram às mãos do grupo, sendo realocadas para outros esquadrões da USAAF e posteriormente repostas com outras do estoque norteamericano. Durante os 148 dias de operações, o 1° GAvCa utilizou 48 P-47D Thunderbolt, nas versões 25-RE, 27-RE, 28-RA, 28-RE e 30-RE.

Há uma discussão em torno do número exato de caças P-47D Thunderbolt destinados à FAB na Itália. Fontes diferentes muito provavelmente citarão números diferentes. É bem provável que essa diferença tenha sido gerada pelo número de aeronaves originalmente disponibilizadas para o 1º GAvCa no depósito em Nápoles, mas que acabaram sendo desviadas para outras forças aliadas. Há casos comprovados, inclusive fotograficamente, de Thunderbolts já pintados com as cores e marcas da FAB mas que nunca chegaram às mãos desta, chegando a unidades da USAAF ainda com as mesmas insígnias.

Quando se olha a listagem dos números de série e subtipos dos P-47D destinados à FAB na Itália conclui-se, a princípio, que o 1º GAvCa teve:

75 P-47D que, em algum momento, lhe foram destinados, dos quais.
27 P-47D foram desviados para outras unidades aliadas
48 P-47D foram utilizados em combate, dos quais:
16 foram abatidos em combate.
07 foram perdidos em acidentes.
25 foram trazidos para o Brasil após a guerra.
Porém, ao final da guerra, o Brasil tinha ainda um crédito de 19 aeronaves no depósito em Nápoles (trocadas por aeronaves mais novas que vieram em vôo dos EUA), o que somado ao número de 48 utilizadas pelo grupo nos dá um outro total de 67 aeronaves.

Talvez (e eu disse "talvez") esta diferença signifique que o número de 67 aeronaves representa o crédito total de aeronaves cedidas pelos EUA ao Brasil, enquanto o número de 75 aeronaves representa o número total de P-47 que, dados os desvios e reposições, pertenceram a este conjunto em algum momento.

As operações aéreas foram iniciadas em 31 de outubro de 1944, quando o 1° GAvCa contava com 11 aeronaves prontas no pátio de estacionamento de Tarquínia e outras 20 em serviços de modificação e/ou manutenção. Essa situação modificou-se rapidamente, graças ao fantástico trabalho do escalão terrestre.

A disponibilidade dos aviões do 1° GAvCa nunca esteve abaixo dos 77% durante todo o transcorrer da campanha, mantendo-se a média de 81%. Esse índice foi um dos mais altos dentre os esquadrões de caça subordinados à 12th AF, superando mesmo alguns grupos de caça noturna, cujos mecânicos tinham a vantagem de trabalhar à luz do dia. Esse grau de disponibilidade foi a prova da competência e da dedicação do escalão terrestre da FAB.

Em 7/11/1944, um acidente com o P-47D-25-RA n° 42-26753 causou a morte do 2° Ten. Av. Oldegard Olsen Sapucaia. Em dado momento, seu Thunderbolt entrou em parafuso invertido a pouco mais de 450 metros do solo. O Ten. Av. Sapucaia saltou da aeronave mas não havia altura suficiente para a abertura do pára-quedas. As causas do acidente foram descobertas dois dias depois, com a chegada de um Boletim de Ordem Técnica, informando que manobras não coordenadas utilizando aileron e leme poderiam travar o leme, seguido de violento e incontrolável giro no eixo lateral, que levaria a aeronave à um parafuso invertido. A solução para esse problema era a instalação de quilhas dorsais, que iam do bordo de ataque do estabilizador vertical até a altura do canopy aberto. Essas quilhas foram entregues em forma de "Field Modification Kits", sendo que coube ao 80th Service Squadron a instalação dessas quilhas nas aeronaves do 1° GAvCa. Entretando, as quilhas só eram instaladas nas aeronaves quando estas necessitavam de trabalhos de reparo de grande monta e, portanto, apenas alguns poucos P-47 do 1° GAvCa receberam esta modificação.

Durante a campanha, outras modificações foram executadas nos Thunderbolt do 1° GAvCa. Uma das mais controversas foi, certamente, a instalação dos lançadores triplos para foguetes M8A2, de 4.5 polegadas. A intenção era fornecer maior poder de fogo contra veículos blindados e fortificações. Uma das primeiras aeronaves a sofrer as necessárias modificações na cabine, na instalação elétrica e na parte inferior das asas para receber o lançador triplo foi o P-47-25-RA n° 42-26786 "1", do Maj. Av. Nero Moura, sendo que a última foi o P-47D-27-RE n° 42-26786 "D4", do Ten. Av. Rui Moreira Lima.

De eficiência altamente questionável, o lançador triplo foi mais um estorvo do que uma arma eficaz. As aletas de direcionamento dos foguetes M8A2 abriam-se em momentos distintos, causando uma trajetória helicoidal e prejudicando sua precisão. Além do que, o tubo de lançamento causava grande arrasto aerodinâmico. Em pouco tempo, os pilotos do 1° GAvCa passaram a ter verdadeira aversão a essa arma e sua quase inexistente eficiência, já que expunham-se ao risco de serem abatidos ao utilizar uma arma que dificilmente cumpriria seu papel.

"O que ele (o 'D4') não gostava muito de usar eram aqueles seis foguetes calibre 105mm. Aliás, ele se sentia mal quando o obrigavam a voar com aquela tralha sob as asas. Muitas vezes me segredava: 'Tira esse troço que me atrapalha o vôo, e eu te compensarei com o resultado obtido com as metralhadoras'. Eu ouvia e aconselhava calma. Havia de chegar o dia em que o Oficial de Operações tomaria a decisão de nos livrar daquilo."

(Maj.Brig. Rui Barbosa Moreira Lima, no livro "Senta a Pua".)

Outra modificação importante foi a instalação de uma câmera fotográfica oblíqua K-25 no bordo de ataque do cabide de bombas da asa esquerda de alguns Thunderbolts do 1° GAvCa. O P-47D já possuía, originalmente, uma câmera filmadora de 16mm instalada no bordo de ataque da asa direita, sincronizada com as metralhadoras. A adaptação das K-25 era realizada pela própria equipe de manutenção do 1° GAvCa, nas aeronaves que voavam com maior frequência na posição n°4 de uma esquadrilha. Uma vez concluída a missão, a aeronave portadora da câmera executava uma passagem adicional para fotografar o alvo. As fotos da K-25, que permitiam ampliações com grande nitidez, permitiam uma perfeita avaliação dos resultados obtidos. O grande "ás" das fotografias com a K-25 era o Ten.Av. Pedro de Lima Mendes.

Em junho de 1945 todos os 26 P-47D que estavam em poder do 1° GAvCa foram levados em vôo até Capodichino, ao AAFSC/MTO, onde foram desmontados e enviados por via terrestre para Nápoles, para serem embarcados para o Brasil. No traslado, o P-47D-27-RE n° 42-26788 acidentou-se durante o pouso, sendo considerado perda total. As 25 aeronaves restantes foram embarcadas e transportadas ao Brasil no SS W. S. Jennings.

O 1º GAvCa ainda tinha um crédito de 19 aeronaves junto ao depósito ao "Army Air Force Storage Center" da USAAF. Ao invés de trazer esses 19 aviões para o Brasil, foi feito um acordo com o Governo Norte-Americano e essas aeronaves foram trocadas por aeronaves do tipo P-47D-40-RA, mais modernas e bem equipadas do que as versões disponíveis na Europa, e que seriam trazidas em vôo por pilotos do 1º GAvCa a partir dos Estados Unidos. Esses P-47, posteriormente, receberam matrículas FAB que iam de 4129 a 4147.

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MensagemAssunto: Re: O P-47 Thunderbolt com a FAB na Itália   18/4/2013, 08:48

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